Raposa Branca
1400 - Deheon - Selentine, 150 quilômetros à noroeste de Valkaria
1400 - Deheon - Selentine, 150 quilômetros à noroeste de Valkaria
—E então, quem precisamos matar? — Cuspiu o rude mercenário careca enquanto engordurava sua barba castanha mastigando uma coxa de frango inteira.
—Não será tão simples — Começou o elfo de rosto coberto por um tecido verde escuro com uma abertura para os olhos — precisamos de um bom plano antes de sacar espadas.
—Não vejo motivos — disse o anão de barba espessa e ruiva, coberto com peles de urso branco — Podemos cortar suas cabeças. Se eles insistirem em levantar, nós os cortamos novamente e vamos ver quem cansa primeiro! — e sorveu o conteúdo de seu caneco.
—Eles tem magia, mestre anão Higgorim — Manifestou-se o jovem de cabelos negros, longos e lisos, de olhos rasgados, aparência andrógina e voz mansa — Magia das trevas. Algum plano, meu bom Valladien?
—Foda-se a magia deles! — Interpôs-se o mercenário — Temos aço! Concordo com o anão! Devemos atacá-los agora mesmo!
—E desperdiçar este magnífico jantar senhor Ridd? — Novamente o jovem de cabelos longos.
—Tem razão! Agora me convenceu Yamazaki! — Respondeu Ridd, bêbado, explodindo em uma gargalhada — Taverneiro! Esta mesa precisa de mais hidromel e raparigas!
—Partiremos ao nascer do sol — Disse o elfo, impassível. — Devemos estar acompanhados por Azgher em nossa missão.
—Sua missão. — Corrigiu o silencioso jovem de feições Tamuranianas, semelhantes as de Yamazaki, e tão jovem quanto o mesmo,ambos recém considerados homens feitos. — Vou acompanhá-los até o norte e depois seguir viagem com a caravana até Trokhard em Zakharov.
Fez-se um pequeno momento de silêncio até que Valladien retomou o assunto.
—Nós lhe entendemos, Takeshi. Mas certamente chegaremos até Zakharov e precisaremos de um guia.
—Não conheço tão bem assim o caminho — rebateu Takeshi.
—Ainda assim conhece. Azgher ajudará a guiar nossos passos adiante. O Sol brilha para todos. — Completou o elfo.
Valladien era um elfo devotado à Azgher, o Deus do Sol. Em sua devoção, não lhe era permitido mostrar a face. Apenas os olhos de um verde bastante vibrante transmitiam sua confiança e liderança por trás do pano verde-musgo que lhe cobria o rosto.
Os outros haviam sido recentemente contratados por Valladien para auxiliar sua missão. Exceto Takeshi, que ainda relutava para voltar para casa.
—Senhor Valladien, não quero ser rude, mas estou nesta taverna ha três dias e três noites com os senhores apenas porque preciso voltar para casa e sua caravana vai na mesma direção!— Exaltou-se Takeshi — Inclusive eu vou pagar pela viagem, não pretendo saquear tumbas!
—Todos gostamos de ouro, mas de que serve esta espada que carrega então? — Yamazaki o desafiou apontando para a bainha sutilmente curvada na cintura de Takeshi.— Carregamos as armas de nossos ancestrais de Tamu-ra apenas por exibicionismo?
"Minha espada serve à minha família e não para saquear tumbas!" foi o que Takeshi quis dizer, mas preferiu ficar em silêncio, pois teve medo de soar ofensivo demais.
—Deixem o garoto — era vez do anão — é apenas uma criança acovardada, um garoto de recados que usa a espada para abrir cartas! — Higgorim e Ridd gargalharam, e até mesmo Yamazaki e Valladian permitiram-se rir discretamente.
Takeshi corou de vergonha. Seus antepassados haviam matado pessoas por insultos menores ou cometido seppuku por vergonhas menores, mas sua viagem dependia dessa caravana. E eles estão em maior número, além de serem mais fortes.
Chovia lá fora, na pequena cidade de Selentine. Após comer e beber muito, decidiram que iriam partir no dia seguinte, cruzando o rio Nerull para avançar ao norte pelas Montanhas Teldiskan, e em seguida dividiram-se e foram para seus quartos.
—Escondidos em uma das pequenas vilas de Teldiskan. Eu quase posso sentir o cheiro daquelas criaturas abomináveis. — Valladian disse a Yamazaki, com quem dividiria o quarto naquela noite.
—Acha que Takeshi vem conosco? — Perguntou Yamazaki enquanto despia as placas de sua armadura.
—Ele vai para casa. Mal nos conhece e não tem interesse nem mesmo no ouro! Sabe, os devotos de Azgher costumam valorizar muito o ouro. No Deserto da Perdição temos um incrível templo todo feito de ouro para o Vigilante.
—E porque o gasta com mercenários? Ninguém da sua ordem poderia prestar-lhe auxílio?
—O ouro está sendo empregado para uma boa causa em nome de Azgher. E você? Porque se preocupa com Takeshi? Tem medo que ele lhe descubra?
—Descobrir sobre o que? — Yamazaki pareceu confuso.
—Seu segredo. Eu já percebi ha algum tempo.
—Mas que... — Yamazaki ficou em silêncio como se estivesse assimilando a informação — Não é nenhum segredo. As vezes até eu mesmo esqueço.
—Eu mesma. Porque não tenta?
—Eu mesma. Que diferença faz? Sou um samurai. Sigo o bushido e sei empunhar minhas espadas em combate. Não nasci homem mas me tornei um.
(...)
Os direitos do mundo de Arton pertencem à Marcelo Cassaro e a Editora Jambô, não incluindo personagens, circunstâncias e algumas localidades criadas neste conto.
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Até o próximo capitulo (:
Até o próximo capitulo (:
"Não nasci homem, me tornei um".
ResponderExcluirYuri Yamazaki ... A lenda ... AUEHUAHEAUHE
Achei os personagens legais.
ResponderExcluirÉ um bom começo de conto.
Falando na neutralidade, é uma estória que gostaria de acompanhar.
ResponderExcluirLegal. Promete. Tu tem uma forma limpa e direta de escrever, mas ao mesmo dinâmica na forma de conduzir a narrativa. Mas e a história em si? Quando vai começar? E cade o mago da equipe? Ou vai dizer que não tem mago na equipe...
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